O empreendedor quer dinheiro. O investidor, seu sangue.

O desespero pra conseguir investimento, somado a ideia de que investimento é algo bom, faz empreendedores perderem tempo… E dinheiro (aguenta até o final e faça as contas comigo).

Há um certo romantismo sobre a noção de investimento, principalmente no cenário de startups. Parece uma solução por si só:

Consegui investidores, agora estou salvo.

Vim aqui para te contar uma verdade dura: para um investidor, o emprendedor nada mais é do que mão de obra ultra qualificada para realizar lucro.

É, bichão… É importante desromantizar a ideia de que investimento é algo bom, para que empreendedores comecem a olhar pras coisas certas: o crescimento sustentável do negócio.

Você tem uma ideia e logo pensa que a saída é encontrar uma pessoa do bem, que acredita em você e quer te ajudar a crescer. Você tem boas intenções, mas falta experiência. Depois que você se ferrar, não diga que eu não avisei…

Uma coisa que pouco empreendedor entende, principalmente se estiver começando é que para um investidor, o empreendedor nada mais é do que mão de obra ultra qualificada difícil de encontrar por ai. Porque emprender é uma das profissões mais difíceis que existe.

E o investidor, aquele cara bonzinho igual o Silvio Santos, quer sair distribuindo dinheiro por ai…

Errado! O investidor não está fazendo nenhum favor quando ele assina o cheque. Se alguém está fazendo algum favor nessa relação, é o empreendedor que está fazendo um favor para o investidor.

A diferença de propósito entre investidores e empreendedores

O investidor está no jogo porque conhece muito bem a regra básica do capitalismo, que é a proporção entre risco e retorno.

Quanto mais retorno você deseja, mais risco você precisa correr.

Por isso, investidores estão conscientes de que há um risco alto se ele quer receber um alto retorno. E tudo bem, desde que ele arrume um “funcionário” pica das galáxias, pra realizar lucro pra ele (vulgo empreendedor).

Vamos fazer uma conta rápida pra você entender:

Eu vou simular aqui 4 rodadas de investimento no caminho comum de uma startup.

O investimento anjo

O primeiro investimento geralmente é o anjo. O investimento anjo médio vai reter de 5% a 15% da participação na sua startup. A gente tá falando de investidor profissional.

Qualquer coisa acima disso foge que é cilada, Bino.

Vamos colocar uma média de 10% (cenário positivo, em!).

O investidor-anjo investiu R$ 150.000,00 e “comprou” 10% da sua startup, que ainda está engatinhando.

Você supera as adversidades, sua startup cresce e vai pra uma segunda rodada de investimentos.

A rodada semente

A rodada semente também é conhecida como seed.

No seed, fundos retém de 20% a 30% da sua startup. Essa é uma média de mercado. Vamos nos manter otimistas e contabilizar que nessa rodada semente o investidor “comprou” mais 20% da sua startup. Agora já são 30% do investidor e 70% seu e dos seus sócios.

O investimento Série A

Na rodada seguinte, a rodada Série A, a média de mercado é a mesma. Uma startup no Brasil recebe de R$ 4 a R$10 milhões de reais em uma rodada dessas e, como contrapartida, “vende” mais 20 a 30% da empresa para os investidores.

Vamos contabilizar que nessa rodada você também “vendeu” 20% da sua startup.

Agora 50% da empresa pertence a você e seus sócios e os outros 50% são de investidores.

A rodada guilhotina: Série B

Na rodada seguinte, a rodada Série B, sua startup vai vender mais 20% a 30%. E se os investidores detiverem mais 20% da sua startup, em um cenário muito otimista, nessa altura do campeonato você e seus sócios já não são mais capitães do próprio navio.

Isso me lembra a orquestra do Titanic, que continuava tocando enquanto o navio afundava.

Sua startup recebeu quatro rodadas de investimento. E agora?

Depois de um caminho aparentemente perfeito na rotina de uma startup, após o Séries B é onde a maioria delas é vendida. E se a sua startup é vendida nesse momento – uma venda em que ela terá um valuation entre R$50 a R$80 milhões de reais (essa é a média). Ao chegar até aqui você, seus sócios e funcionários dividiriam 30% desse valor.

Vamos supor que você tem mais dois sócios, então vocês são três. E lá no início, na rodada seed, vocês reservaram 10% para o grupo de funcionários-chave. Isso é normal em startups. Logo, você é dono de 6,66% (20% dividido por três sócios).

Se no cenário otimista que a gente desenhou juntos você vendeu sua startup por:

Opção 1: R$ 50 milhões. E você é dono de 6,66% você recebeu = R$3.330.000,00

Opção 2: R$ 80 milhões. E você é dono de 6,66% você recebeu = R$5.328.000,00

Nada mal, né!?

Isso já é mais dinheiro que a maioria das pessoas consegue acumular em uma vida. E dá pra viver bem com isso se você souber administrar. Mas dá uma olhada na proporção que fica para os investidores:

Valor total da venda: R$ 50 milhões. Investidores recebem = R$35.000.000,00

Valor total da venda: R$ 80 milhões. Investidores recebem = R$56.000.000,00

E agora, minha startup tem opção?

Em um outro cenário, onde você optou por não receber investimento e crescer um pouco mais devagar, você trabalhou o mesmo tanto e sua empresa foi vendida por R$20 milhões ao invés de R$80 milhões. Quatro vezes menos. Afinal, sua empresa cresceu menos porque foi construída na raça.

Só que nesse outro cenário, a empresa era 90% sua e dos seus sócios e 10% de funcionários. Por isso, você recebeu R$ 6.000.000,00 pelos 30% da empresa que te pertenciam. Além disso, você não ajudou a fortalecer a opressora distribuição de renda mundial, onde 83% da riqueza do mundo está concentrada na mão dos 8,4% da população mais rica (sim, meus caros. Dinheiro não dá em árvore. O dinheiro que vem dos fundos de investimento vem da minoria que tem grana. Muita grana).

Essa conta básica e simplificada serve pra mostrar que o empreendedor é uma mão de obra ultra qualificada quando a empresa é financiada por investidores. Afinal, não é qualquer um que assume uma empresa do zero, se esforça por anos pra fazer ela crescer e enfrentar todos os riscos associados, para que a maior parte do negócio fique na mão de outras pessoas.

A maioria dos empreendedores não faz essa conta, e no meio do caminho acabam se encontrando em um lugar em que não queriam estar.

Por isso, eu acredito que o melhor caminho para o empreendedor é começar no bootstrapping – ou seja, sem investimento externo. Fazendo o melhor possível com aquilo que você tem a mão.

Começar pequeno, com seus próprios esforços para depois – com o negócio desenvolvido e a cabeça fora d’água – poder escolher se acelera o crescimento com uma injeção de capital e adiciona no negócio essa nova complexidade – que é o investidor e suas exigências – ou cresce com menos velocidade, porém mantendo a propriedade do negócio e o poder na tomada de decisões.

Eu sei que você quer uma vida cheia de prazeres e riqueza. Seu desejo é digno. Quem em sã consciência não quer isso? No entanto, vale a pena pensar no caminho que você quer percorrer pra chegar lá. Como disse o gato de Alíce no País das Maravilhas: Pra quem está perdido, qualquer caminho serve.

Por último, mas não menos importante:

Não existe certo e errado e nem melhor ou pior. O importante aqui é entender como o jogo de startups funciona por trás das manchetes dos editores de revistas, sites populares e discursos dos capitalistas de risco.

E se tem algo que eu faço questão de saber sempre, é a verdade. Não importa o assunto. Me conte a verdade. E agora, você já sabe.

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